Japão - Simplicidade e Elegância

A cozinha japonesa é muito simples e austera. Evoluiu a partir de uma ideologia singular e original que pouco foi pedir aos seus vizinhos e menos ainda ao mundo exterior. É a epítome da perfeição na sua preparação, cozedura e apresentação, ficando a habilidade artística do cozinheiro quase a par com o seu conhecimento dos temperos e da combinação dos ingredientes.
Depara-se com elegância em todos os aspectos: no emprego das guarnições, na disposição dos alimentos, na seleção da louça, na escolha dos ingredientes. Tudo tenta expressar a alegria da vida, do ar livre e de todas as coisas naturais. Os japoneses respeitam a natureza e esforçam-se sempre por incorporar um elemento desta nas suas refeições.
Embora a estética de um prato exija a máxima consideração, como a escolha dos temperos e dos molhos, nunca deverá ser o seu elemento principal; serve apenas para o realçar e o complementar.
Só o melhor e o mais fresco é bom para a cozinha japonesa, pois o mais importante é o sabor puro e natural dos alimentos. Os molhos nunca são espessos nem de cobertura, podendo apenas dar brilho, ou flutuar em volta dos ingredientes. O polme é leve, arejado e estaladiço, nunca envolvendo completamente os alimentos. Os temperos destinam-se mais a realçar o verdadeiro sabor dos alimentos do que a disfarçá-lo.
O cozinheiro japonês tem confiança para apresentar, por exemplo, como peça central de uma refeição, yu-tofu, um simples tacho de ferro de simples tofu de "seda", cozido em calor brando num caldo transparente aromatizado com algas. Ousa decorar um prato com um simples pé de folhas de bambu. Revela uma inspiração quase poética na disposição de pedaços translúcidos de peixe cru, de um branco-rosado, numa travessa feita à mão, em forma de peixe, de tons brancos e azuis-marinhos.
E, tal como a escolha de uma folha de bordo avermelhado para decorar um prato prenuncia a chegada do outono, o mesmo sucede com a escolha do prato, numa declaração da época e do local. Os alimentos da estação são os melhores e, quando servidos na sua região de origem, deverão ser infinitamente superiores.

Fonte: Texto retirado do livro: Ásia - O mais Belo livro de Cozinha
2008-01-04 14:41:36

|
DANÇAS JAPONESAS

DANÇAS FOLCLÓRICAS
No período Edo, nas ruas e praças públicas, passaram a ser realizados bailados grandiosos, as danças de massas, como o bon-odori, quando o Japão reverencia a memória dos mortos e o awa odori, estilo de dança de Tokushima, de Shikoku.
Coube ao kabuki dar uma expressão artística refinada ao odori, às danças de festivais rústicos e populares, todas elas executadas em grupo. Também a influência do odori transparece fortemente no kabuki e uma das manifestações é a dança alternada, solada por cada um dos artistas. Essa forma está intimamente relacionada ao velho costume japonês, praticado até hoje, dos convidados da festa se apresentarem individual e espontaneamente para o entretenimento de todos.
A dança folclórica japonesa é um tipo de dança apresentada nos festivais e paradas, e a maioria dos japoneses aprendem pelo menos um ou dois passos. Com centenas de festivais de rua ocorrendo em todo o Japão, durante o curso de um ano, a maioria dos japoneses, participam uma vez ou outra, em alguma dessas danças.
MAI
Conta-se que a dança Mai, (que significa girar), teve origem nos movimentos das virgens dos santuários que circundavam o lugar cerimonial, segurando galhos da árvore sagrada sakaki de bambu, num ritual que visava trazer tranquilidade e bem-estar à terra. À medida que o ritual se ia repetindo, os gestos foram-se formalizando e transformaram-se numa dança ritual apresentada no palco por uma sacerdotisa que segurava um leque. Esta acção transformou-se na arte do Nô; é por isso que, assim, como os movimentos rituais do Nô e do Mai, assumem um ou dois intérpretes que circundam o palco segurando um leque ou adereço semelhante.
A dança Mai é caracterizada por uma contida qualidade cerimonial sendo muito estática e apresentado no teatro.
ODORI
Originalmente, odori significa um tipo de dança de saltos e pulos e sua origem remonta à seita Jodo (Terra pura), uma seita que se espalhou rapidamente no período Medieval. Esta seita dava ênfase ao canto repetido de uma simples oração (nembutsu) proferido por grupo de seguidores, que às vezes pulavam ao ritmo do sino, que acompanhava a oração, num tipo de dança primitiva chamado nembutsu odori. Odori refere-se assim a uma dança popular, folclórica e possuindo movimentos mais extrovertidos.
BON ODORI
Bon, em japonês, significa finados e Odori, dança, que é apresentada nos templos budistas e xintoístas japoneses no mês, é hoje executada como forma de preservação da cultura do povo do sol nascente.
O bon-odori é uma dança que surgiu há centenas de anos na região norte do Japão. A dança manifesta o sentimento de gratidão a Deus pela boa colheita ou uma boa produtividade do ano.
Bon-odori é realizada para entreter os espíritos de seus ancestrais e em quase em todo Japão pode-se assistir à sua performance.
KABUKI
Até o desenvolvimento do kabuki, o odori era uma dança executada com participantes que acompanhavam a música mas que davam pouca atenção ao significado simbólico ou literário. Coube assim ao Kabuki dar expressão artística refinada ao Odori, às danças de festivais rústicos e populares, todas elas executadas em grupo. Também a influência do odori transparece fortemente no Kabuki e uma das manifestações é a dança alternada, apresentada a solo por cada um dos artistas. Essa forma está intimamente relacionada ao velho costume japonês, praticado até hoje, de os convidados da festa se apresentarem individual e espontaneamente para o entretenimento de todos.
A dança do teatro Kabuki é a referência e a partir da qual surgiram vários estilos. Os movimentos contidos e seus passos, sempre presos ao chão, induzem a uma expressão introspectiva.
O kabuki é um estilo de expressão teatral japonês, representado apenas por homens. Essa característica possibilitou o surgimento dos onnagata (actores especializados em papéis femininos).
As peças de kabuki são sobre eventos históricos, conflitos morais em relações amorosas e são marcadas pela mistura do real com o sobrenatural. Existem lutas de samurais, amores ilícitos, assassinatos, interferências de espíritos. Os atores falam em voz monótona e são acompanhados por instrumentos tradicionais japoneses, entre eles, o shamisen.
Em tudo, a dança do kabuki se opõe a do No: ela é exuberante, acrobática e agressiva. Os trajes são constituídos por enormes kimonos. Os leques, sombrinhas e espadas são usados com perícia, enriquecendo os movimentos. A maquiagem extravagante, que leva horas para ser feita, substitui as máscaras, usadas pelo No.
Um traço marcante do kabuki é a exploração da beleza estática, como pode ser comprovado pelo exemplo da técnica mie. Tal recurso consiste numa pausa do ator, em certos momentos culminantes, numa atitude pictórica. O kabuki possui vários recursos acústicos, não se restringindo apenas à música: o toque de matracas, que assinala o início e o fim do espetáculo, é um exemplo típico.
NIHON BUYO
É uma clássica dança japonesa, na qual o bailarino usa um kimono especial para uma determinada apresentação e, na maioria das vezes, utiliza um suporte como o sensu (leque dobrável) e tenugi (tecido comprido de algodão).
O sensu e o tenugi são usados simbolicamente e, podem representar uma variedade de objectos inanimados (espelhos, cartas, guarda-chuva, portas deslizantes, flores) ou podem expressar uma emoção ou sentimento.
A forma original do nihon buyo é lembrada no livro mais antigo da história japonesa, Kojiki (Registro de Casos Antigos). Ele descreve como a deusa Amenozume-no-mikoto devotou-se à dança; ela ornou seu vestido e cabelos com capim, prendeu um punhado de folhas de bambu em sua mão e bateu seus pés num grande balde. Passos similares de sustentação e o estilo da batida com os pés ainda são usados no nihon buyo de hoje.
As geishas eram treinadas para ser tornarem peritas em diversas formas de dança. No entanto, o nihon buyo e o odori sempre foram as mais populares.
CARACTERÍSTICAS:
A dança japonesa é baseada em versões estilizadas dos movimentos básicos, associadas ao comportamento diário. Muitas situações e emoções podem ser expressas pelo movimento corporal: as técnicas utilizadas em cada estilo, as danças folclóricas e o respeito que os japoneses têm pela arte que tão bem espelha as tradições locais, reflecte-se na intenção com que esta dança é executada.
A dança clássica japonesa busca estabelecer e confirmar contacto com a terra; os seus movimentos tendem à flexão da anca e membros inferiores, baixando o centro gravitacional do corpo, sendo que esta impressão é ainda reforçada pelos pés que se arrastam e pisam forte no chão.
DANÇAS TRADICIONAIS
Originalmente as danças clássicas japonesas foram desenvolvidas, baseadas em rituais, tais como evocações de espíritos de mortos ou orações para repouso das almas.
A dança do kabuki é a referência e, a partir dela, surgiram vários estilos. Os movimentos contidos e seus passos, sempre presos ao chão, induzem a uma expressão introspectiva.
A dança clássica japonesa busca estabelecer e confirmar o contato com a terra. Seus movimentos tendem à flexão dos quadris e membros inferiores, abaixando mais o corpo, impressão ainda reforçada pelos pés que se arrastam e pisam forte no chão. É uma dança com passos intensivos, cujo ideal técnico é expressar a beleza da idade avançada.
DANÇAS CLÁSSICAS
A dança tradicional japonesa inclui vários outros estilos, todos inspirados num dos dois elementos essenciais da cultura do país: o mai (diferenciado por uma conduta cerimonial, introspectiva e tranqüila) e o odori (folclórico, exuberante e extrovertido). Embora actualmente a distinção entre os dois termos não seja tão clara, ambos estão firmemente arraigados em muitos eventos tradicionais. A combinação dos ideogramas dessas duas modalidades de dança (mai + odori), forma a palavra buyo, que significa danças tradicionais.

Fonte:
2007-09-17 20:48:19

|
|

|